Sobre ser mulher

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Foto: Freepik

Hoje comprei um spray, desses tipos de pimenta, mas o que é liberado para uso pessoal. Comprei porque tenho medo. O tempo todo, de segunda a segunda, mas piora quando estou voltando sozinha para casa a noite. Não quero que pensem que meu corpo é um convite.

 

Prioridades – como lidar?

Se dependesse do que o meu eu interior quer, eu não teria ficado um mês sem postar aqui. Iniciei vários posts, mas o momento acelerado no trabalho desviou meu foco e os textos foram se perdendo.

Isso me faz parar um momento para questionar se minha prioridade é o trabalho. Para isso, senta que lá vem a história.

Quando era adolescente sonhava com um emprego que me fizesse viajar pelo mundo, conhecendo pessoas e lugares incríveis. Achava essa ideia extremamente divertida e agradável e conseguia me imaginar rodeada pelo glamour de ser uma profissional moderna, descolada e sem moradia fixa.

Acredito que até meu jeito de ser expressava esse meu desejo, porque até hoje familiares e alguns conhecidos acreditam que eu vou dar o fora do Brasil para ser feliz em outras (várias) terras. Uma vez até assustaram quando expressei meu desejo de ser mãe um dia. “Você? Nunca imaginaria. Sempre pensei que você estaria nos ligando cada hora de um país. Com filho isso não é possível”, me disseram uma vez.

E, no dia que ouvi isso, uma sirene pareceu gritar na minha cabeça. “O que eu fiz comigo? Não sou mais aquela pessoa legal?”, me desesperei. E comecei a pensar no que eu realmente dou valor, o que eu admiro, minhas prioridades.

Eu cheguei a conclusão de que nunca gostei de viajar a trabalho, de ficar conectada com os clientes 24 horas por dia ou de trabalhar nos finais de semana. Não queria uma vida bem programadinha, com atividades definidas para todos os dias da semana, sem novidades. Isso não quero. Mas, entregar minha vida ao trabalho não parece tão glamouroso assim.

Gente, por favor não me entenda mal. Não tenho medo do trabalho. Já passei madrugas e finais de semana seguidos com o computador ligado correndo contra o tempo para entregar traduções ou matérias para algum veículo. E faria (de certa forma faço) tudo de novo. Se é pra trabalhar, que seja agora enquanto ainda não consigo segurar a onda.

Porém, vocês já aproveitaram a maravilha de conseguir interromper o trabalho no horário certo e aproveitar todas as horas livres que tem antes de dormir? É muito bom poder descansar, retirar o trabalho da cabeça e se dedicar a uma leitura, uma série ou até atividade física. Você merece. Sua vida não deve ser o trabalho. Ele só deve fazer parte dela.

E é foi assim que eu cheguei à conclusão de que o trabalho não deveria ser minha prioridade, apesar de ser o meio para eu conseguir colocar em prática aquilo que mais quero, como passar tempo com a família, fazer uma viagem legal, planejar um casório, fazer planos para o futuro.

Existem sim momentos em que o seu emprego vai exigir mais de você (como no último mês, por exemplo) e, que tipo de profissional você seria se, em meio a uma loucura, desligasse o computador e dissesse “até amanhã”? A questão é que é preciso colocar limites.

Todos os dias eu pensava em escrever aqui, mas estava sempre tão exausta que não conseguia. Eu me vi deixando por último aquilo que me faz bem, como escrever sobre o que sinto e fazer pole. Foi preciso? Sim, por mais que agora seja a hora de falar para o meu corpo “calma, senta aqui e descansa os olhos. Você precisa.”

Minha prioridade não é o trabalho, mas com certeza passarei por momentos em que o mais importante é fazer minhas entregas para que o futuro seja mais como eu quero.

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Freepik – Viktor Hanacek

P.s.: O texto está muito confuso. Ainda estou em meio a um turbilhão de tarefas, mas achei necessário desabafar aqui sobre o que estou sentindo. Obrigada por chegar até aqui! 🙂

 

Pole dance?

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🙂

Quem já conversou comigo algumas vezes provavelmente já sabe que eu faço pole dance. É algo que eu não tenho problemas em contar porque eu amo, me faz bem e é incrível.

Mas nem sempre foi assim… Isso foi uma construção e o grande responsável foi o próprio pole. Vamos lá, vou contar resumidamente.

Eu acredito que cada pessoa se adapta melhor a um tipo de atividade física, assim como acontece com roupas, comidas, cores… Cada um tem seu jeito! O meu é justamente o de alguém que não consegue ficar muito tempo em uma aula repetitiva e chata. Eu gosto de me divertir e também da sensação de que no dia seguinte vou fazer algo diferente, ou até igual, mas em um nível diferente.

Pole é assim para mim. Comecei a fazer (no Studio A, em BH) e decidi que era o que queria. O que eu não sabia é que o bem que essa atividade física provoca não é apenas para sua saúde (afinal, quanto mais nos exercitamos melhor, certo?). O seu corpo se transforma (não estou falando de emagrecer, mas de forma. Emagrecer varia de acordo com seus outros hábitos, claro), sua noção corporal melhora muito e, o que eu mais notei e adorei, a autoestima e segurança te tornam alguém diferente.

Eu sempre fui muito insegura com tudo, mas não tenho mais vergonha de colocar biquíni, deixar a barriga de fora, usar shorts com a celulite à mostra… Eu aprendi a me amar e a não ligar para isso. No pole, não importa seu tipo físico, o que importa é a sua vontade de tentar, tentar de novo e uma vez mais. Mesmo que você seja como eu, alguém que demora muito a aprender as coisas, a evolução é nítida e contínua. Hoje eu posso não conseguir fazer alguns movimentos, mas, meus amigos, eu consigo ficar de cabeça pra baixo! haha

Antes, até vergonha de falar que fazia pole eu tinha. Eu sabia exatamente o tipo de preconceito que poderia existir. Mas as pessoas vão aprendendo que não importa o que pensam, pole é esporte, é dança e é lindo! Hoje, além de adorar contar e mostrar as fotos,  eu conheço muitas pessoas que são incríveis, que têm vitórias enormes diariamente e que amam o pole.

Eu faço e recomento. O pole é dor, roxos no corpo, medo… mas ele também é amor, vitória, superação e sucesso. 🙂

Pra te inspirar, que tal dar uma olhada no meu painel de pole no Pinterest?

Uma confissão:
Já pensei em abandonar o pole. Não porque não me fazia bem, mas porque eu não conseguia aceitar minhas limitações. Esses momentos provavelmente vão existir sempre, mas fico feliz por não ter me deixado vencer pelo sentimento de falha. Posso não ser uma campeã, mas me sinto bem conseguindo fazer avanços pequenos, mas constantes.

Eu e o real

Eu sei que não sou a diferentona e que a relação com o dinheiro ficou muito mais difícil para muitas pessoas nos últimos meses. No meu caso, os conflitos com os reais começaram quando certas situações exigiram que eu contribuísse com uma quantia muito mais alta em casa. Isso coincidiu com o início do trabalho em regime de home office que, embora me faça gastar menos com comida, roupa e besteiras, precisou de um investimento inicial, além de criar algumas contas novas, que antes não existiam (imposto de MEI, plano de saúde, transporte etc.).

Como sempre fui mais controlada que muitas pessoas por aí, acho que não sofri D E M A I S, porém sofri. Isso porque minha conta de cartão de crédito estava lá no alto com as compras para a nova etapa da vida e os resquícios dos gastos desnecessários que eu sempre tinha antes. E, para mudar isso, não foi preciso apenas esperar o mês seguinte, eu tive que mudar meu comportamento e minha relação com o dinheiro.

É engraçado pensar nisso hoje porque eu sou tão desapegada com gastos comigo que o Saulo chega a achar estranho. Ele fica preocupado quando estou com pouco dinheiro para passar o mês, enquanto eu estou feliz por ter esse dinheiro. Mas, afinal, como isso aconteceu?

Simples (mentira!). Eu segui alguns passos:
1. Antes de tudo eu abri meu guarda-roupa, vi tudo que tinha dentro. Tirei aquilo que eu nunca usaria e redescobri peças que estavam no esquecimento. Isso garantiu combinações variadas que anteriormente existiriam apenas com compras. (Gente, vamos lembrar que foi mais fácil porque trabalho de pijama 😉 ) Ponto pra mim, que fiz uma lista de coisas que eu precisava para o ano com apenas três itens (botinha baixa, jaqueta jeans e um lenço de cabelo).

2. Baixei um app de controle financeiro (tentei vários, mas nem vou indicar porque no final meu “app” foi um caderninho) e comecei a anotar tudo que eu gastava. Coloquei tudo mesmo. Cada suco na rua, passagem de ônibus, bala. E me assustei com a quantia absurda que ia embora com besteiras. Sério, vocês têm ideia de quanto a gente gasta com lanchinhos não-saudáveis e nem-tão-gostosos-assim? É M U I T O.

3. Dei pesos para meus gastos. Contas da casa eram prioridade e peso 3. Meu pole, inglês e contas de telefone peso dois. Saídas peso 1. Compras de supérfluos peso 0,5.

4. D E S A P E G U E I. Dei valor para os momentos mais baratos. Fiquei mais finais de semana em casa. Cozinhei mais. Comi antes de ir para encontros com amigos em restaurantes. Baixei os livros em formato Kindle para não gastar.

Gente, parece aquele tipo de texto que você lê e pensa “ah ta, fácil né?! Você abriu mão de tudo que é bom”, mas não é. Eu consegui até juntar dinheiro para viajar para a Itália e os EUA. E foi muito maravilhoso. Valeu a pena demais e não deixei de fazer nada, só controlei mais e dei prioridades. 😉

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