Cartas para Valú

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Foto: Freepik

Já existia internet a cabo nas casas de brasileiros e eu ainda esperava o carteiro chegar. Sentava na varanda, do lado de fora da minha antiga casa, e ficava lá no horário que ele costumava passar.

Eu brincava com os cachorros, lia um livro, deitava no chão… mas não perdia uma visita dele. Quando chegava, eu já vistoriava de longe o que tinha nas mãos e me enchia de alegria quando tinha carta para mim. Corria, pegava o envelope e comemorava silenciosamente que o conteúdo parecia grande. Duas, três folhas… às vezes sete.

Receber cartas era incrível e uma amiga minha (que nunca tive a sorte de conhecer pessoalmente) gostava desse hábito tanto quanto eu. Nossas cartas tinham dedicação em cada linha. Adesivos, canetas coloridas, folhas bonitas, fotos e uma sinceridade digna de terapias.

Acho que na época a gente não sabia o quanto escrever nos fazia bem. Eu, que estava em um relacionamento abusivo sem me dar conta, desabafava e chorava enquanto escrevia. Ao selar o envelope para meu pai colocar nos Correios, me sentia mais leve e já iniciava a contagem regressiva para que meus pensamentos chegassem em Niterói e os dela retornassem a BH.

Com o tempo, nosso contato foi se reduzindo a WhatsApp. Mensagens em dias de jogo Galo x Flamengo, no dia que o Ronaldinho veio pra Minas, nos aniversários… E, hoje, nesse dia cheio de mensagens lindas nas minhas redes sociais, a gente conversou e eu me enchi de felicidade por saber que não foram só fofocas que me divertiram na adolescência. Foram histórias que me ajudaram a superar problemas de gente grande.

Acho que vem desse meu amor por cartas a emoção que sinto ao ler cada recadinho de parabéns. Obrigada a todos. Nunca amei aniversário, mas amo cada lembrança. ❤

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Ross não entendia nada de cartas!

Amigos, apesar da política?

Acho que mesmo quem vive no mundo da lua sabe que no Brasil foi-se o tempo que rivalidade era Galo x Cruzeiro (claro, sou atleticana e não vou fazer referência aos outros times. hahaha). A briga política começou em 2014 e agora em 2016 atingiu níveis estratosféricos.

As brigas ultrapassaram as telas dos celulares e computadores e foram para as ruas, o Congresso, as TVs. Tem gente apanhando na rua porque usa roupa vermelha, outros sendo xingados quando colocam bandeira do Brasil no carro… As coisas estão ficando assustadoras para “petralhas” e “coxinhas” e nunca foi tão verdade falar que é preciso ter “muita calma nessa hora”.

Eu tenho uma posição política muito clara e quem me conhece sabe qual é. Por isso, às vezes é muito difícil segurar a vontade de entrar em discussões que servem apenas para criar inimizades (já que hoje em dia ninguém está disposto a mudar de ideia). Mas, como segurar essa vontade?

Eu criei uma bolha. Isso mesmo. Uma bolha virtual.

Se na vida real eu tenho que ligar com pessoas com pensamentos que chegam a me insultar, na internet não é mais assim. Eu resolvi parar de seguir (em alguns casos mais graves, desfiz a amizade virtual) as pessoas que postam coisas que me deixam nervosa. Me acha radical? Talvez eu seja, mas pelo menos não entro mais em brigas.

Não faz sentido continuar vendo (no momento de lazer) coisas que te fazem mal. E nem é só com política (apesar de ser o tema que me fez escrever esse texto). Postou foto de gente machucada, pessoas ou bichos morrendo ou fez comentários homofóbicos/racistas? Unfollow na certa.

Pensem comigo. Na casa da avó você ainda tem que cumprimentar aquela tia que fala Bolsomito, mas no Facebook você não é obrigada a nada. Não quero gastar meu tempo sentindo raiva das pessoas, por isso tento discutir com quem é educado suficiente para isso (discutir, não brigar) e criei um mundo paralelo que me faz acreditar que o Brasil (a meu ver) tem solução.

Tenta fazer isso da próxima vez que sua prima disser que existe racismo reverso. Nesse caso, é melhor ensinar pra ela que isso não existe, mas se mesmo assim não der certo, aperta unfollow ou desfaça a amizade. O alívio já melhora um pouquinho a raiva. 😉

 

Geladeira <3

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Eu acabei não contando aqui, mas a gente comprou a geladeira e largou a vida de caixa de isopor.

Pesquisamos muito na internet e os preços eram bem melhores que nas lojas, mas os prazos de entrega eram terríveis e, muitas vezes, o frete também. Depois de um mês convivendo com a possibilidade de tudo estragar e nos privando de coisas mais em conta porque não tinha lugar para guardar, achamos que valeria a pena comprar uma nova na loja.

Escolhemos, claro, o modelo mais em conta que fosse frost free e com capacidade de mais de 300L. Isso era importante porque garantiria que a gente não iria precisar de outra nem tão cedo. Afinal, quem tem mais de 1.500 reais para gastar assim sem propósito? Não dá.

Com a geladeira no lugar dela, fomos ao supermercado e gastamos mais do que deveríamos. Mas é que tanto tempo sem fez a gente investir em cerveja, sorvete e outras coisitas que ficam bem melhores geladas. Valeu a pena? Valeu. Ficamos meio apertados, mas o mês passou e deu tudo certo.

A melhor parte é saber que, das coisas realmente necessárias, nossa casinha tá completa.

 

Tem alguns sites bem legais para comprar eletrodomésticos e outras coisas (as grandes lojas, claro, e a Compra Certa são minhas favoritas). Uma dica bem legal é acessar o Zoom e colocar lá qual produto você procura e em qual faixa de preço. Ele te avisa quando alguma loja chegar no valor que você queria.

Dica pra vida: Acompanhar as promoções do Clube do Ricardo. 😉

Pole dance?

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🙂

Quem já conversou comigo algumas vezes provavelmente já sabe que eu faço pole dance. É algo que eu não tenho problemas em contar porque eu amo, me faz bem e é incrível.

Mas nem sempre foi assim… Isso foi uma construção e o grande responsável foi o próprio pole. Vamos lá, vou contar resumidamente.

Eu acredito que cada pessoa se adapta melhor a um tipo de atividade física, assim como acontece com roupas, comidas, cores… Cada um tem seu jeito! O meu é justamente o de alguém que não consegue ficar muito tempo em uma aula repetitiva e chata. Eu gosto de me divertir e também da sensação de que no dia seguinte vou fazer algo diferente, ou até igual, mas em um nível diferente.

Pole é assim para mim. Comecei a fazer (no Studio A, em BH) e decidi que era o que queria. O que eu não sabia é que o bem que essa atividade física provoca não é apenas para sua saúde (afinal, quanto mais nos exercitamos melhor, certo?). O seu corpo se transforma (não estou falando de emagrecer, mas de forma. Emagrecer varia de acordo com seus outros hábitos, claro), sua noção corporal melhora muito e, o que eu mais notei e adorei, a autoestima e segurança te tornam alguém diferente.

Eu sempre fui muito insegura com tudo, mas não tenho mais vergonha de colocar biquíni, deixar a barriga de fora, usar shorts com a celulite à mostra… Eu aprendi a me amar e a não ligar para isso. No pole, não importa seu tipo físico, o que importa é a sua vontade de tentar, tentar de novo e uma vez mais. Mesmo que você seja como eu, alguém que demora muito a aprender as coisas, a evolução é nítida e contínua. Hoje eu posso não conseguir fazer alguns movimentos, mas, meus amigos, eu consigo ficar de cabeça pra baixo! haha

Antes, até vergonha de falar que fazia pole eu tinha. Eu sabia exatamente o tipo de preconceito que poderia existir. Mas as pessoas vão aprendendo que não importa o que pensam, pole é esporte, é dança e é lindo! Hoje, além de adorar contar e mostrar as fotos,  eu conheço muitas pessoas que são incríveis, que têm vitórias enormes diariamente e que amam o pole.

Eu faço e recomento. O pole é dor, roxos no corpo, medo… mas ele também é amor, vitória, superação e sucesso. 🙂

Pra te inspirar, que tal dar uma olhada no meu painel de pole no Pinterest?

Uma confissão:
Já pensei em abandonar o pole. Não porque não me fazia bem, mas porque eu não conseguia aceitar minhas limitações. Esses momentos provavelmente vão existir sempre, mas fico feliz por não ter me deixado vencer pelo sentimento de falha. Posso não ser uma campeã, mas me sinto bem conseguindo fazer avanços pequenos, mas constantes.

Um tempo depois: o que aprendi sobre a vida a dois

Dois meses de casada e já deu para aprender algumas coisas sobre a tão complexa vida a dois.

1. Ela não precisa ser complexa.

2. Antes os momentos eram exclusivamente bons. Você só tinha que se preocupar em passar o final de semana com a pessoa e, mesmo que brigas eventuais surgissem, não tinha muito o peso das responsabilidades.

3. Você tem que se lembrar de agradecer, de se isolar quando não estiver muito bem, de respeitar quando o outro não estiver querendo conversar… Essas pequenas atitudes contribuem muito para não existirem brigas.

4. É muito bom deitar com ele no final do dia. Abraçar, implicar, namorar. ❤

5. Regras são necessárias.

6. Regras desnecessárias são divertidas. Exemplo: Um ter sempre que levar o outro à porta quando for sair.

7. Ainda não aprendi quase nada. Tem muito por vir.

8. Criatividade na cozinha é bem difícil. Era mais fácil planejar saídas eventuais.

9. Momentos de silêncio também são bons.

10. O celular atrapalha. Tem que tomar cuidado.

11. O volume do despertador daquele que levanta primeiro deveria ser mais baixo (alguém lembra o Saulo disso, por favor?) para não incomodar a Valú o outro.

12. Não dá vontade de parar de falar eu te amo.

13. Algumas picuinhas antigas parecem muito bobas.

14. É bem divertida e com certeza eu recomendo.

15… Depois eu falo mais 🙂

 

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Na foto eu sou o azul. O Saulo me mataria se fosse ele. =P