Eu e o real

Eu sei que não sou a diferentona e que a relação com o dinheiro ficou muito mais difícil para muitas pessoas nos últimos meses. No meu caso, os conflitos com os reais começaram quando certas situações exigiram que eu contribuísse com uma quantia muito mais alta em casa. Isso coincidiu com o início do trabalho em regime de home office que, embora me faça gastar menos com comida, roupa e besteiras, precisou de um investimento inicial, além de criar algumas contas novas, que antes não existiam (imposto de MEI, plano de saúde, transporte etc.).

Como sempre fui mais controlada que muitas pessoas por aí, acho que não sofri D E M A I S, porém sofri. Isso porque minha conta de cartão de crédito estava lá no alto com as compras para a nova etapa da vida e os resquícios dos gastos desnecessários que eu sempre tinha antes. E, para mudar isso, não foi preciso apenas esperar o mês seguinte, eu tive que mudar meu comportamento e minha relação com o dinheiro.

É engraçado pensar nisso hoje porque eu sou tão desapegada com gastos comigo que o Saulo chega a achar estranho. Ele fica preocupado quando estou com pouco dinheiro para passar o mês, enquanto eu estou feliz por ter esse dinheiro. Mas, afinal, como isso aconteceu?

Simples (mentira!). Eu segui alguns passos:
1. Antes de tudo eu abri meu guarda-roupa, vi tudo que tinha dentro. Tirei aquilo que eu nunca usaria e redescobri peças que estavam no esquecimento. Isso garantiu combinações variadas que anteriormente existiriam apenas com compras. (Gente, vamos lembrar que foi mais fácil porque trabalho de pijama 😉 ) Ponto pra mim, que fiz uma lista de coisas que eu precisava para o ano com apenas três itens (botinha baixa, jaqueta jeans e um lenço de cabelo).

2. Baixei um app de controle financeiro (tentei vários, mas nem vou indicar porque no final meu “app” foi um caderninho) e comecei a anotar tudo que eu gastava. Coloquei tudo mesmo. Cada suco na rua, passagem de ônibus, bala. E me assustei com a quantia absurda que ia embora com besteiras. Sério, vocês têm ideia de quanto a gente gasta com lanchinhos não-saudáveis e nem-tão-gostosos-assim? É M U I T O.

3. Dei pesos para meus gastos. Contas da casa eram prioridade e peso 3. Meu pole, inglês e contas de telefone peso dois. Saídas peso 1. Compras de supérfluos peso 0,5.

4. D E S A P E G U E I. Dei valor para os momentos mais baratos. Fiquei mais finais de semana em casa. Cozinhei mais. Comi antes de ir para encontros com amigos em restaurantes. Baixei os livros em formato Kindle para não gastar.

Gente, parece aquele tipo de texto que você lê e pensa “ah ta, fácil né?! Você abriu mão de tudo que é bom”, mas não é. Eu consegui até juntar dinheiro para viajar para a Itália e os EUA. E foi muito maravilhoso. Valeu a pena demais e não deixei de fazer nada, só controlei mais e dei prioridades. 😉

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