Achados nos Rascunhos do Gmail 1

Escrito em 02/06/2015

 

Até hoje estou, com Joey e Pacey, sentada no sofá esperando o final da série Dawson’s Creek. Na série, escrita pelo Dawson, era ele quem ficava com ela. Na série, onde tudo isso aconteceu, foi o casal que eu gostava que ficou junto.

Poucos anos depois, me escondia com Mônica e Chandler todas as vezes que alguém estava prestes a descobrir o relacionamento entre eles. Ao mesmo tempo, dancei com cabeça de frango para dizer eu te amo e me ajoelhei para fazer o pedido de casamento.

No horóscopo escondido na carteira por anos, nos milhares de quilos de batata frita, litros e mais litros de café e infinitas piadas sem graça, me apaixonei por Luke e Lorelai. Eles são, até então, meu casal favorito. Eu, de verdade, senti frio na barriga com os dois. Torci, chorei, xinguei e escrevi aquela carta maravilhosa para o juiz dar a guarda da filha do Luke para ele. Mesmo sabendo que tudo estava de cabeça para baixo, eu sabia que eles eram para sempre.

Ano passado, fiquei uma semana escutando “A gente voltou”, da Clarice Falcão, após o anúncio do fim do casamento entre ela e Gregório. Ah, eles não podiam fazer aquilo comigo. Mas fizeram. E semana passada me deram mais um tapa. Após uma matéria ser divulgada sobre eles terem voltado (e eu ter escutado mais algumas vezes a tal música), ela desmentiu. Talvez não tivesse mesmo que ser como nas séries.

No fim, sou dessas que me envolve demais com pessoas que não existem ou que nem me conhecem. E não é porque eu não tenho um amor como esse na vida real, porque eu realmente tenho. É só que eles fazem parte de mim e, em cada um deles, me encontro quando estou triste, feliz ou com raiva.

 

[Atualização em 07/2018: Continuo fazendo assim. Envolvida demais.]

 

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Aquela dos 30

Vocês já tiveram a sensação de que está tudo em transição? Que não sabem como será (se é que existirá) o novo padrão?

Tenho sentido isso há alguns meses. Eu antes achava que passaria, mas ainda não deu sinais nem de abrandar. É reflexão sobre jeito de ser, de sentir, de agir… Repensar o que compro e como, o que uso, quem eu sou. É uma reflexão atrás da outra, se sobrepondo à primeira e acumulando. Me transformando.

Estou leve e feliz, mas agitada. E quando passar? Será que vou gostar do resultado? Será que regredirei?

Não sei se tem a ver com Sol em algum signo, com a mudança de Era, com os 30 anos. Não sei. E, sinceramente, não sei se é tão importante assim descobrir.

Eu sigo – tentado sempre ser – feliz. Tentando não pensar no depois. Até porque, honestamente, não somos donos do depois e sempre vivemos no presente. O futuro chega e amansa, abranda… O que não podemos é sofrer pelo que pode (ou não) vir por aí!

 

Comer comer

Sempre tive paladar infantil. Na hora de comer salada, sempre os básicos. E nada de querer experimentar coisas diferentes. Eu era, basicamente, como a Lorelai Gilmore, porém mais fresca, já que ela comia algumas coisas “assustadoras” nos jantares de sexta na casa da mãe.

Recentemente, minha vida mudou de forma brusca. Começou com a minha consciência de que usar plástico demais iria acabar com o mundo. Parei de aceitar copos descartáveis e canudos. Comecei a andar com meu kit zero lixo na bolsa (canudo de vidro, guardanapo de pano, copo, talheres e uns potinhos para compras a granel).

O problema (pra mim, solução) é que a filosofia de gerar menos lixo não combina com o consumo exagerado de industrializados. Todos eles têm embalagem e podem fazer mal para o nosso corpo assim como lixo faz para o planeta. Ou seja: comecei a ficar incomodada com meu estilo de alimentação.

O maior desafio para mim é que, fresca como sempre fui, tinha grandes limitações na hora de comer. Por isso, resolvi me desafiar. Li em algum lugar que comer a mesma coisa três ou quatro dias seguidos faz o nosso paladar se acostumar. Fiz isso com moranga, com inhame… Ainda não amo os dois, mas estou conseguindo comer. Além disso, resolvi testar.

O leite de vaca, que sempre foi meu queridinho, começou a gerar uma pulga atrás da minha orelha. Será que preciso tanto assim? E testei leite de aveia, de côco… Vou testar ainda de amendoim e, se eu ficar rica, de amêndoas.

Já sou a verdadeira Bela Gil? Não. Quem me dera. Ainda tomo Toddy, às vezes me rendo ao miojo, adoro um delivery…

Mas o mais importante é que eu ganhei uma consciência alimentar, sabe? Comecei a fazer minhas coisinhas em casa. Comecei a me questionar. E resolvi parar quase totalmente com carne. Primeiro a carne vermelha, que nunca foi minha favorita. Depois, sem pressão, paro com as outras.

Estou comendo melhor, cozinhando mais, experimentando. Estou feliz. O caminho ainda é longo, mas é animador.

 

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Existe a profissão certa para você?

[Atenção! Esse post é sobre dúvidas, não sobre soluções.]

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Conversando com amigos e acompanhando blogs, sites e redes sociais, percebo como está cada vez mais comum ver as pessoas reclamando do trabalho e colocando em cheque a escolha que fizeram ao entrar no curso universitário.

Também estão se multiplicando por aí os textos que falam desse defeito da geração Y, que nunca está satisfeita e que teoricamente foi criada para ser o que quiser, mas acaba não sendo nada. Isso sem falar dos artigos que dizem que nossa geração prefere viver com pouco ($$), mas mantendo o status de uma vida cult e moderninha, em que trabalhar demais é visto como bom e que as coisas materiais têm cada vez mais valor.

Eu não escapei dessa “crise”. Sempre me questiono sobre as escolhas que fiz e, quanto mais penso nisso, mais me perco entre as dúvidas. E, olha, eu gosto da minha profissão, eu só me apavoro com a ideia de fazer a mesma coisa nos próximos 40 anos.

Eu não sei se quero, se consigo, se tenho futuro nessa área. Eu simplesmente não sei. E, o fato de eu ter começado a questionar isso mais fez com que eu me sinta insatisfeita grande parte do tempo. Não sei como você se relaciona com seu trabalho, mas eu sempre gostei de estar bem humorada e feliz porque acho que passar 8h, 9h do seu dia se sentindo insatisfeita faz mal pro corpo, pra alma e pros resultados.

Mas, e aí?! O que eu devo fazer? Ainda não descobri. Tenho lido sobre escolhas profissionais, sobre minha área e tenho aprendido sobre um assunto específico que me agrada. E, claro, sempre que me sinto assim meio mal, meio mais ou menos, considero investir mais no blog (mesmo com tantas dúvidas sobre isso).

Já imaginaram largar tudo e começar uma vida nada? Já consideraram o que teriam que deixar para trás e o que teriam que enfrentar? Eu penso muito nisso e enquanto não souber de verdade o que tem mais chances de me fazer feliz, acho que não vou para lugar nenhum. Por isso, bora lá. Vamos tentar mudar, tentar entrar nos eixos.

 

Existe fórmula para o home office perfeito?

Trabalhar em casa tem um glamour que acaba assim que a pessoa faz do home office sua rotina.

:: Podemos assistir série no meio do expediente? Sim.
:: Podemos tirar uma soneca delícia depois do almoço? Sim.
:: Precisa preocupar com a roupa que vai vestir para trabalhar? Não.
:: Precisa gastar com transporte e alimentação na rua? Não.
:: Se não tiver conseguindo concentrar você pode deixar essa tarefa para fazer depois? Aí depende.

Essa é a complicação do home office (além de ter o tédio de ficar sozinha a maior parte do tempo, de não sair de casa quase nunca e acabar sendo responsável pelo almoço – que nunca tem salada, porque você não gosta de salada e não quer ir ao sacolão comprar tomate, alface e repolho). O controle do tempo depende só da gente e isso pode acabar virando descontrole.

Após um ano e meio nessa vida, não sei mais se conseguiria ter um horário fixo de trabalho longe de casa. É muito ruim perder tempo no ônibus parado no trânsito de 19h, ter que deixar suas coisas de lado, deixar o cachorro sozinho em casa… Mas, confesso, tem dias que eu queria ter alguém ao meu lado para conversar e para me pressionar para render mais.

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O que eu faço para resolver isso?

Na verdade, meu sonho era ter a fórmula do sucesso. Infelizmente perco muito tempo fazendo nada mesmo quando acho que estou fazendo muito. Acho até normal, porque o número de horas trabalhadas em casa acaba sendo maior do que em um emprego comum.

O que mais funciona comigo é a recompensa. A cada tarefa concluída, me deixo ficar cinco minutos no Facebook ou jogando alguma coisa.

Também uso a técnica Pomodoro, que faz eu ficar focada por 25 minutos, com cinco de intervalo, mais 25 minutos…

Cada um tem um jeito de trabalhar e o que funciona para mim nem sempre vai funcionar para você. Eu gosto de trabalhar com prazos. Eles me fazem ficar mais produtiva para conseguir cumpri-los. Mas o meu sonho era fazer tudo com antecedência para tirar a tarde de folga vendo Netflix.

 

 

Quase na metade. E aí?

2016 chegou como um ano para me salvar. O sentimento que tinha em relação a 2015 era terrível. Muitas coisas ruins aconteceram e eu queria mesmo deixar tudo para trás.

Mas, enquanto alguns dizem que 2016 chegou pra piorar a situação, eu digo o contrário. 2016 tem sido incrível. Difícil, mas sensacional. Até porque, meus amigos, vamos concordar que nada é fácil pra gente, né?!

Esses cinco meses completos me mostraram que tomei a decisão certa ao aceitar morar com o Saulo. Que a vida a dois não é feita apenas de flores, mas que a gente aprende a lidar com espinhos e até a gostar e a valorizá-los.

Neste ano estou pensando mais em mim. É ruim falar desse jeito, parece que sou egoísta, mas não é isso. É que sempre fui o tipo de pessoa que pensava nos outros mais do que em mim. Eu não mudei isso, ainda acho que na balança algumas pessoas queridas vêm antes de mim, mas eu subi algumas posições.

Acho isso fundamental, porque significa que tento me desligar um pouco dos problemas que não posso resolver. Eu tento antes, mas se deixar que me afetem demais acabo me anulando e oh… depressão é uma doença muito perigosa e eu tento ter cuidado para não cair nas garras dela. Pensar mais em mim me ajuda nisso.

Eu ainda não tenho uma poupança com dinheiro suficiente para me sustentar se algo der errado, não me descobri profissionalmente e nem consegui realizar os desejos que faço para a primeira estrela que vejo a cada dia, mas tá bom assim. Me sinto bem. Me sinto melhor e sou feliz e agradecida por isso.

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Obrigada, 2016!

Sobre ser mulher

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Foto: Freepik

Hoje comprei um spray, desses tipos de pimenta, mas o que é liberado para uso pessoal. Comprei porque tenho medo. O tempo todo, de segunda a segunda, mas piora quando estou voltando sozinha para casa a noite. Não quero que pensem que meu corpo é um convite.

 

O que eu gosto: booktuber

Resolvi criar uma editoria aqui no blog. Toda sexta (assim espero) eu vou indicar um livro, canal do YouTube, série ou qualquer outra coisa que eu goste. É meio inútil, eu sei, mas eu adoro compartilhar aquilo que eu curto. Assim como eu amo receber indicações dos amigos e muitas vezes corro atrás de coisas novas no Google.

Hoje vou começar falando de uma booktuber que me fez amar passar horas assistindo vídeos. A Tatiana Feltrin fez eu querer ler cada vez mais e me “indicou” vários livros que entraram no ranking de melhores da vida.

Que tal você conhecer também? Comece assistindo esse vídeo sobre um assunto super importante  🙂

 

Prioridades – como lidar?

Se dependesse do que o meu eu interior quer, eu não teria ficado um mês sem postar aqui. Iniciei vários posts, mas o momento acelerado no trabalho desviou meu foco e os textos foram se perdendo.

Isso me faz parar um momento para questionar se minha prioridade é o trabalho. Para isso, senta que lá vem a história.

Quando era adolescente sonhava com um emprego que me fizesse viajar pelo mundo, conhecendo pessoas e lugares incríveis. Achava essa ideia extremamente divertida e agradável e conseguia me imaginar rodeada pelo glamour de ser uma profissional moderna, descolada e sem moradia fixa.

Acredito que até meu jeito de ser expressava esse meu desejo, porque até hoje familiares e alguns conhecidos acreditam que eu vou dar o fora do Brasil para ser feliz em outras (várias) terras. Uma vez até assustaram quando expressei meu desejo de ser mãe um dia. “Você? Nunca imaginaria. Sempre pensei que você estaria nos ligando cada hora de um país. Com filho isso não é possível”, me disseram uma vez.

E, no dia que ouvi isso, uma sirene pareceu gritar na minha cabeça. “O que eu fiz comigo? Não sou mais aquela pessoa legal?”, me desesperei. E comecei a pensar no que eu realmente dou valor, o que eu admiro, minhas prioridades.

Eu cheguei a conclusão de que nunca gostei de viajar a trabalho, de ficar conectada com os clientes 24 horas por dia ou de trabalhar nos finais de semana. Não queria uma vida bem programadinha, com atividades definidas para todos os dias da semana, sem novidades. Isso não quero. Mas, entregar minha vida ao trabalho não parece tão glamouroso assim.

Gente, por favor não me entenda mal. Não tenho medo do trabalho. Já passei madrugas e finais de semana seguidos com o computador ligado correndo contra o tempo para entregar traduções ou matérias para algum veículo. E faria (de certa forma faço) tudo de novo. Se é pra trabalhar, que seja agora enquanto ainda não consigo segurar a onda.

Porém, vocês já aproveitaram a maravilha de conseguir interromper o trabalho no horário certo e aproveitar todas as horas livres que tem antes de dormir? É muito bom poder descansar, retirar o trabalho da cabeça e se dedicar a uma leitura, uma série ou até atividade física. Você merece. Sua vida não deve ser o trabalho. Ele só deve fazer parte dela.

E é foi assim que eu cheguei à conclusão de que o trabalho não deveria ser minha prioridade, apesar de ser o meio para eu conseguir colocar em prática aquilo que mais quero, como passar tempo com a família, fazer uma viagem legal, planejar um casório, fazer planos para o futuro.

Existem sim momentos em que o seu emprego vai exigir mais de você (como no último mês, por exemplo) e, que tipo de profissional você seria se, em meio a uma loucura, desligasse o computador e dissesse “até amanhã”? A questão é que é preciso colocar limites.

Todos os dias eu pensava em escrever aqui, mas estava sempre tão exausta que não conseguia. Eu me vi deixando por último aquilo que me faz bem, como escrever sobre o que sinto e fazer pole. Foi preciso? Sim, por mais que agora seja a hora de falar para o meu corpo “calma, senta aqui e descansa os olhos. Você precisa.”

Minha prioridade não é o trabalho, mas com certeza passarei por momentos em que o mais importante é fazer minhas entregas para que o futuro seja mais como eu quero.

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Freepik – Viktor Hanacek

P.s.: O texto está muito confuso. Ainda estou em meio a um turbilhão de tarefas, mas achei necessário desabafar aqui sobre o que estou sentindo. Obrigada por chegar até aqui! 🙂

 

Cartas para Valú

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Foto: Freepik

Já existia internet a cabo nas casas de brasileiros e eu ainda esperava o carteiro chegar. Sentava na varanda, do lado de fora da minha antiga casa, e ficava lá no horário que ele costumava passar.

Eu brincava com os cachorros, lia um livro, deitava no chão… mas não perdia uma visita dele. Quando chegava, eu já vistoriava de longe o que tinha nas mãos e me enchia de alegria quando tinha carta para mim. Corria, pegava o envelope e comemorava silenciosamente que o conteúdo parecia grande. Duas, três folhas… às vezes sete.

Receber cartas era incrível e uma amiga minha (que nunca tive a sorte de conhecer pessoalmente) gostava desse hábito tanto quanto eu. Nossas cartas tinham dedicação em cada linha. Adesivos, canetas coloridas, folhas bonitas, fotos e uma sinceridade digna de terapias.

Acho que na época a gente não sabia o quanto escrever nos fazia bem. Eu, que estava em um relacionamento abusivo sem me dar conta, desabafava e chorava enquanto escrevia. Ao selar o envelope para meu pai colocar nos Correios, me sentia mais leve e já iniciava a contagem regressiva para que meus pensamentos chegassem em Niterói e os dela retornassem a BH.

Com o tempo, nosso contato foi se reduzindo a WhatsApp. Mensagens em dias de jogo Galo x Flamengo, no dia que o Ronaldinho veio pra Minas, nos aniversários… E, hoje, nesse dia cheio de mensagens lindas nas minhas redes sociais, a gente conversou e eu me enchi de felicidade por saber que não foram só fofocas que me divertiram na adolescência. Foram histórias que me ajudaram a superar problemas de gente grande.

Acho que vem desse meu amor por cartas a emoção que sinto ao ler cada recadinho de parabéns. Obrigada a todos. Nunca amei aniversário, mas amo cada lembrança. ❤

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Ross não entendia nada de cartas!